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SAF nos clubes goianos? Presidentes de Atlético-GO, Goiás e Vila Nova falam da possibilidade e revelam propostas

Confira a matéria especial sobre a SAF no futebol goiano!

Por: Danyela Freitas 27/02/2022 12:15

Nos últimos meses, na esfera do futebol nacional, muito tem se falado sobre Sociedade Anônima do Futebol, mais conhecida como SAF. Dessa forma, mais recentemente, no Brasil, Cruzeiro e Botafogo, por exemplo, tornaram-se ‘clubes-empresa’.

A partir disso, em conversa exclusiva com a equipe das Feras do Esporte, os presidentes de Atlético-GO, Goiás e Vila Nova falaram sobre a possibilidade dos clubes que administram se tornarem uma SAF. Confira!

SAF nos clubes goianos? Presidentes de Atlético-GO, Goiás e Vila Nova falam da possibilidade e revelam propostas

Adson Batista

Primeiramente, o presidente do Atlético-GO se declarou conservador quanto à ideia de SAF. No entanto, revelou que o clube recebeu propostas que não avançaram. A saber, Bruno Daniel apurou que o Dragão recusou quatro propostas após se reunir com os possíveis investidores. Por fim, Adson Batista garantiu que ainda irá estudar sobre a SAF.

“Meu pensamento é bastante conservador. Quero ver o que vai acontecer. Já virou moda. Está todo mundo falando de SAF. Atualmente, o Atlético-GO está bem saneado. Logo, não tem desespero para essas coisas. Nós fomos procurados por algumas empresas, alguns investidores com esse pensamento. Entretanto, entendemos que o modelo não era interessante. Dessa forma, por enquanto, vamos aguardar mais. No entanto, pode ser uma solução, algo moderno, que pode trazer investimentos para um clube mudar de patamar. Isso tem que ser muito bem discutido e muito bem avaliado. Vamos acompanhar a SAF pelo Brasil, para ver se realmente vai engrandecer o futebol. […] Todo mundo que investe quer retorno. Portanto, precisamos avaliar isso bem. E se esse retorno trouxer obstáculos para um clube que tem torcida e que tem o objetivo de preservar sua história?

Aqui no Brasil, [a SAF] pode ser o futuro. Eu vejo que o Brasil tem que evoluir em muitas coisas, como a questão da liga, por exemplo. O futebol brasileiro discute, fala de união, mas, na hora do ‘vamos ver’, os clubes sempre pensam de maneira individualista. O que eu acho que é muito errado. Os clubes têm que entender que você tem que ter um bom produto.

Assim, para ter um bom produto, todos têm que ter poder de investimento. Dessa forma, vai de competência, na meritocracia, de gestão. Os clubes grandes querem sempre se proteger e não entendem que o produto será valorizado somente se tiver um bom produto. Logo, não adianta 8 ou 10 clubes terem condições, porque atualmente, a divisão do Brasil é muito ruim, muito desigual. Logicamente, os clubes que têm mais torcida, mais história e mais conquistas têm mais mecanismos para buscar retorno de outras maneiras. Portanto, eu vejo ainda de maneira muito subjetiva essas questões. […] É difícil mensurar valor. O clube tem que fazer um estudo e ver o quanto vale sua marca para poder emitir essa opinião. O problema desses clubes [que se tornaram SAF no Brasil] é que eles estão muito endividados e, assim, não têm muita alternativa. Portanto, ficam refém.

No entanto, são clubes que têm torcidas grandes, então a cobrança também será bem grande. Não sei como isso será gerido. Então, temos que acompanhar e estarmos atentos. Se realmente for um negócio importante no futuro, você tem que pensar dessa forma também, porque senão você vai ficar para trás. Dessa forma, vamos ficar atentos e ver o que irá acontecer, para poder ter uma opinião mais clara em relação a isso. […] [Quanto às sondagens] se nós quiséssemos, o Atlético já estava vendido. Nós que não avançamos. Em resumo, entendemos que não era positivo. Eles [os possíveis investidores] estudam o seu balanço, veem sua solidez financeira e seu equilíbrio. Essas empresas têm suas estratégia. Entretanto, a gente vai esperar, estudar bem e entender melhor para ver se é interessante ou não.”

Paulo Rogério Pinheiro

O mandatário do Goiás afirmou estar preparando o clube para o futuro. Além disso, Paulo Rogério Pinheiro falou que um novo estatuto está sendo feito. Por fim, o mandatário citou que, atualmente, são os times mais endividados que têm se tornado SAF.

“Primeiramente, a SAF, que está na moda, nada mais é do que você ter um investidor no seu clube, por meio da própria SAF ou de uma parceria, como é o caso do Bragantino. Logicamente, estamos atentos a isso tudo. Não nego que, no meu entendimento, temos que preparar o clube urgentemente. Quando digo ‘preparar o clube’, é você conhecer o produto que você quer oferecer no mercado estrangeiro ou até mesmo nacional para ter investidores. Se será possível entregar 10% ou 30, 40, 50, 60, 80%, isso tudo vai depender. Portanto, estamos arrumando a casa desde o ano passado, profissionalizando todos os setores, fazendo uma gestão mais moderna. Dessa forma, o próximo passo será fazer um estatuto social, alterando o nosso atual estatuto. Assim, esse novo estatuto vai prever a entrada de investidores, seja por meio da SAF ou parceria.

No entanto, é necessário ter as regras colocadas na nossa constituição interna para que possamos vender isso lá fora. É o futuro. Não tem como fugir disso. Isso não é para daqui a dois, três, quatro anos. Isso deve ser feito neste ano ainda, porque senão corre o risco de ficarmos muito para trás em relação aos outros clubes.

Em resumo, a SAF que estou vendo acontecer, coincidentemente, são em clubes têm muitas dívidas. Sendo assim, essa SAF tem sido feita às pressas e a troco de caixa. Isso é a salvação desses clubes. Ou eles faziam isso ou eles não entram em campo mais, porque a justiça hoje está sendo muito pesada nas decisões. Exemplo disso é o nosso caso com o Goianésia. Ficamos sem registrar atletas. Recentemente, Vasco foi condenado pelo CNRD a nos pagar uma quantia.

Com isso, caso não pague, também corre o risco de ficar impossibilitado de registrar jogadores, independente de SAF. Portanto, a SAF acaba sendo a salvação desses clubes. O Goiás praticamente não possui dívidas. A saber, a dívida do Goiás é alta para o que o Goiás recebe atualmente. No entanto, para um investidor, isso não vai ser praticamente nada, muito pequena, até irrisória para quem quer investir num clube como o Goiás, com o patrimônio que o Goiás tem. Então, estou acompanhando de perto esses clubes que estão planejando se tornar SAF, não quero citar nomes, até porque não tenho autorização. Além disso, a partir do grupo ‘Forte Futebol’, tenho conversado com presidentes de clubes.

Já contratei um escritório fora de Goiânia que está me auxiliando no processo do novo estatuto. Não é barato. É demorado. São reuniões intermináveis, com advogados tributaristas. Além disso, tenho que conversar com meu pai [Hailé Pinheiro], porque não adianta fazer nada sem o presidente do conselho, já que o presidente executivo não tem poder nenhum sobre o estatuto. Dessa forma, eu vou apenas propor isso ao conselho deliberativo, que, posteriormente, vai levar para uma assembleia com os sócios. O poder do presidente executivo é zero. Em resumo, não é algo que iremos decidir em apenas uma assembleia. Serão várias.

Os clubes que estão endividados que se tornaram SAF às pressas fizeram a assembleia em uma noite. Por outro lado, com certeza, os clubes que não estão endividados terão mais cuidado. Resumindo, esse é o futuro.

O que me preocupa é que o Goiás tem que ter um investidor grande. No futebol não se faz dinheiro e a cada dia está ficando mais caro. Exemplo disso é a dificuldade que os clubes brasileiros estão tendo quanto à contratação de treinadores, então acabam apelando para técnico estrangeiro. É muito complicado hoje jogador custando R$ 300 mil, R$ 400 mil por mês para uma Série A. Estou passando, a partir de hoje, quase 50% do meu tempo, ou mais, nessa questão do estatuto, da gestão interna. E precisa ser feito. Logicamente, cada clube tem seus problemas políticos, seu pensamento financeiro, sua visão de mercado futuro do futebol. Dessa forma, a SAF não é uma regra igual para cada clube. Cada clube terá sua forma de SAF.”

EURODIESEL NOTICIA

Hugo Jorge Bravo

Bruno Daniel, das Feras do Esporte, publicou em seu Twitter a respeito da possibilidade do clube colorado se tornar SAF. A partir disso, os torcedores do Tigre se animaram. Hugo Jorge Bravo, por sua vez, declarou que a diretoria pensa em se tornar um clube-empresa.

“Eu vejo a SAF com muito bons olhos. A gente ainda precisa encontrar o melhor desenho. Querendo ou não, esse modelo do Cruzeiro e do Botafogo vai ser um norte muito interessante. Portanto, acho que talvez a SAF seja a salvação para muitos clubes, principalmente para aqueles que estão bastante sufocados financeiramente. Em relação ao Vila Nova, a gente pensa, sim [numa SAF]. A fase de adaptação não é demorada. Num primeiro momento, nós manteremos esse caráter associativo, mas abertos ao mercado e às propostas. Estamos recebendo várias sondagens. Agora, lógico, o mercado fica bem aquecido. E nós estamos abertos. À medida que chegar algo concreto, a gente apresenta para o conselho.”

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